Meu Deus, os mortos que andam!
Que nos seguem os passos
e não falam.
Aparecem no bar, no teatro, na biblioteca.
Não nos fitam,
não nos interrogam,
não nos cobram nada.
Acompanham, fiscalizam
nosso caminho e jeito de caminhar,
nossa incomoda sensação de estar vivos
e sentir que nos seguem, nos cercam,
imprescritíveis. E não falam.


Carlos Drummond de Andrade

6 comentários:

Cleopatra disse...

Também há vivos que fazem assim... estão sempre atrás... ao lado... no pensamento.... mas só isso. Será que morreram.Ou será que para eles , estão mortos?!

Su disse...

..estão em nós...

jocas maradas

DarkMorgana disse...

Eles andem aí!!!

Todos os que não sabem VIVER!!!!

Lusitana Paixao disse...

É mesmo.
Todos os que não sabem viver.
Mortos vivos,
Vou indo. Detesto essa gente.
Gostei da escolha.

Saffron disse...

Mi gosta mucho do blog Mi bloga mucho!

Andava a procura do poema Ausencia de Nuno Judice e descobri este blog.
Parabens, esta muito bonito!
Obrigada por partilhar!
Cumprimentos,
Saffron

Apache disse...

Pois... Este é um poema que fala de mortos mas há por aí tanto "vivinho da silva", assim!
Faço minhas as palavras da Morgana... "Eles andem aí!!!"

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