Sentei-me no canto do adeus em busca de tempos.
Quis virar a cara ao tempo para o encontrar feliz. Mas andei, andei e ainda não me detive.
Já me cruzei com momentos longos e fortes que quase se diluiriam no correr das décadas.
Outros encontrei-os fugazes, mas irrepetíveis de tão intensos.
Como aquele em que se viu vida e nasceu um compromisso eterno.
Nos labirintos da memória perderam-se, gradativamente, as cumplicidades, os sabores, os contentamentos, os disfrutes e o tudo, ou o pouco, que uniu uma água e um fogo e que teve o preço de uma liberdade.
A cada canto, amiudadamente, encontrei o muito que fui dando, que de tanto que era se esgotou.
Do recebido – de tão pouco que era – só encontrei uma gaveta pequenina, como aquela do armário antigo que abriste há dias e onde só encontastes aqueles papéis amarelecidos que ao teu toque se transformaram em pó.
Já cansada destes percursos perguntei à alma qual é a cor da liberdade de agora.
Sangrando, respondeu-me bem lá do fundo que o azul era, agora, a cor que me esperava. E é dele que me quero encher já, supondo ao lado pequenas nuances de um claro verde fresco e delicado.
Mas, recordo-me também, que me falou ainda das pedras e dos muros que elas constróem, quando, instavelmente, se equilibram umas sobre outras sem nenhuma massa que as ligue.
Explicou-me que, nesses puzzles que os formam, e que os tornam resistentes a todos as forças e tempestades, pequenos outros espaços ficam sempre, por onde sopram brisas que alentam e formam outros rios de ar, por vezes imperceptíveis, mas sempre fortes, que o corpo espera para, de uma pequena brasa, se transformar numa gigantesca labareda ao encontro de outras almas, cumplicidades e alegrias.


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9 comentários:

Cleopatra disse...

Obrigada meu DEUS

porque

inventaste os POETAS!

DarkMorgana disse...

Viva Eva!!!
Já fez as mudanças?
Já está em Sintra?

Sintra tem muita côr para dar á sua liberdade!
Tem muito azul de céu fresco e muito verde de todos os sabores!!!

E tem sons soltos no ar de alegrias luzidias,
e cheiros livres de tão selvagens!

Mystic's disse...

Lindo!

Jota disse...

Sempre ha um momento em que chegamos à porta e ficamos indecisos entre a escuridão do exterior e a luz do que deixamos para trás... Mas parece que a decisão está tomada! Força miúda!!!

Crix disse...

Também com palavras se pintam quadros e constroem imagens, indutoras de histórias e sentimentos.
Mas nao te fiques pelos azuis e verdes... são lindos, mas frios.
Um arco iris pra ti. Bjinhos

Dishti disse...

Aí está uma lição de vida...... no mundo poético,jinhs de dishti

Cleopatra disse...

Viva Eva!!

O DR vem aí!

Tome posse no ultimo dia.
Nude-se de armas e bagagens para lá.
è lá que vamos tomar o nosso café!

O seu texto é um pedaço de literatura...
Um livro a duas mãos?

valeu???


E já viu o desafio do Angel?
Pois vá ao Blog

Outra pergunta:
Quem é este misterioso Mistyc que me atrai atnto...

Homem?

Tem uma sensibilidade estonteante!...

anabela disse...

No caminho por mim percorrido, já foram muitos os momentos vividos.
Longos e fortes mas que, infelizmente, não se perderam na minha memória.
Por isso, cansei.
Cansei de virar a carar ao tempo para o encontrar feliz.
Porque o recebido dos momentos vividos, longos e fortes, não foram apenas pápeis amarelecidos.
Do recebido desses momentos está repleta a "caixinha" da minha memória.
"Caixinha" que me persegue e que me impende de ver o quanto eu recebi daqueles que verdadeiramente me querem.
Todos os dias, essa "caixinha" é aberta com a esperança de, ao toque, o seu conteúdo se transformar em pó.
Mas, todos os dias,nessa "caixinha", encontro o recebido do que fui dando a quem não merecia.
E não preciso de perguntar à alma qual a cor da liberdade que me espera, ao amanhecer , amanhã, para saber que não é o azul.
E sei que essa também não será a cor que me acompanhará ao anoitecer.
A mim, resta-me esperar que entre as pedras e muros exista ainda um espaço.
Para permitir a passagem de uma brisa forte, bem forte, para destruir o puzzle que está dentro da "caixinha" da minha memória.
E se a brisa não tiver força paar tal, não deixe, pelo menos, de desiquilibrar algumas das pedras que estão guardadas na "caixinha" para permitir que eu vá ao encontro de outras almas, cumplicidades e alegrias.
Que me permita virar, de novo, a cara ao tempo para o encontrar feliz.

Anabela disse...

Eva

As palavras escritas ou escolhidas por si são lindas

Pena a minha alma não SENTIR a beleza dos sentimentos que as mesmas transmitem

Um beijinho
Anabela

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