Senta-te.
Mergulha o teu olhar nesta imensidão de azul onde não se encontram mais obstáculos. Perde-te até ao infinito nesta transparência irreal e quase vazia.
Calmamente deixa o azul dominar-te. Suavizar a realidade.
Alterna agora, no azul, o dia e a noite e vagueia serenamente nessa contradição que dá ritmo à vida.
Já entraste nela?
Reparaste agora na viola? Ela espera os teus dedos.
Ouço já as notas a fugirem dela. Parecem-me sons do Mestre. “Mudar a vida” grita a guitarra. De além, surge agora um som de metal que a acompanha e se enleia na perfeição com os sons dos teus dedos e do teu corpo que, debruçado sobre a viola, vibra como se fosse mais uma corda só.
Elevas brevemente os olhos agora. É daquela nuvem mais alta que te aceno e tu sorris-me com os olhos.
Nesta transparência irreal voo já em direcção a ti. Destemida.
Indiferente aos ventos toco-te, agora, levemente na mão que se move no braço da viola. E, tu, vibras ainda com mais intensidade. Largas então a viola e agarras-me pela cintura. Dali flutuamos juntos para o laranja e o vermelho de fogo. Saciar os corpos é agora o objectivo, que a alma, essa, inebriou-se, aqui, de azul.
Posted by Picasa

5 comentários:

Eu disse...

Ah! Paredes... Saudades. Bastantes. Temos Chainho entretanto...

Fernando Pinho disse...

Uma panóplia de bonitas palavras à altura das melodias de Carlos Paredes. Um grande momento, teu, cara Eva. Parabéns.

Cleopatra disse...

FELIZ O HOMEM A QUEM AMA DESSA MANEIRA!!!

Não sei dizer mais nada de tanto gostar do que escreveu!!

carla disse...

Pois e! Ha momentos perfeitos na vida das pessoas (na nossa vida) - azul, mar, musica, "mestre", emoçao, muita emoçao. Afinal, vale a pena viver!
Muitos parabens, pelo texto, pela foto, pela mensagem e ... pelo dia ... de hoje!
UM BEIJINHO

Anónimo disse...

Ah...mas chegou o negro! O silencio...
Uma gota escorre pelo meu rosto, cansado! Sonolento!
Devagar levanto a minha mão. Devagar sinto os lençois!
O meu dedo felizmente alcança o seu destino.
Lentamente, na escuridão, no frio, encontra.
Lentamente, com a precisão de um cego, toca, pressiona, e o cd volta a rodar.

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