29.10.06

E por vezes

 


E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos

E por vezes encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes
ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.

David Mourão-Ferreira

2 comentários:

Anónimo disse...

Não é fácil a interpretação deste poema, talvez isso o faça maior?!

anjoedemonio disse...

e por vezes somos quem somos e não seremos de ninguem...

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