No efémero vou firmando imagens e guardando silêncios.
O vento chega. Forte e quente como almas que se guardam e entrecruzam sem nunca se desnudarem.
Sim. Há almas assim.
Há almas que não acompanham os corpos que as guardam. Que transbordam de calor e sonhos sem nunca se abrirem. E guardam nelas os silêncios, os lamentos, as dores e as alegrias. Princípios e fins. Começos e recomeços.
Há almas que não se mostram nunca e só deixam antever pequenas frestas. E é por aí que se vão escapando algumas palavras.
Poucas.
Só as mais voláteis que se vão libertando da superfície em inesperadas saídas.
As outras, densas e pesadas como o granito, ficam guardadas à espera de um vento morno para, na sua maior calmaria, saírem dela como sementes de um dente de leão arrancadas pela brisa da tarde.

23 comentários:

taxi driver disse...

segredos da alma.
bjs

São disse...

As grandes almas não acompanham os corpos,infelizmente há poucas, mas tu és uma delas!
Beijos!

Claudia Sousa Dias disse...

"O deus das pequenas coisas" de Arundhati Roy - onde as coisas mais importantes ficam sempre por dizer.

Um dos livros mais belos que já li!

Tem tudo a ver com a mensagem do teu texto.

CSD

Rasputin disse...

Não serão as almas como as sementes? Nem todas germinam ao mesmo tempo. Que triste seiam 3/4 do ano se todas as flores aparecessem na primavera. Algumas almas, quais sementes, têm o seu "momento" numa data diversa. Ou no calor do verão, no frio de inverno, ou ainda, na sua é poca exclusiva de florescimento...o outono. Quem sabe que semente será a tua. Dá tempo ao tempo...

GF disse...

"Há almas que não se mostram nunca e só deixam antever pequenas frestas E é por aí que se vão escapando algumas palavras. Poucas". Ui, isso é alguma indirecta?

Moura disse...

Obrigado pela visita ao meu blog!
Fico contente por ter dado uma boa vista de olhos pelos meus escritos sobre as Berlengas, Santa Maria e Terceira. Sou um apaixonado pelo mar e as ilhas acabam por me fascinar!
Gostei dos seus textos e fotografias. Vou começar a dar uma espreitadela neste cantinho cheio de espiritualidade!
Abraço,
Moura

Moura disse...

Já agora...
...fala com enorme emotividade sobre as Berlengas. Já mergulhou(em apneia, ou seja,sem garrafa e apenas com máscara e aquele tubinho) lá? É fantástico e fica-se a conhecer um outro lado da ilha. Eu costumo fazer uns baptismos de mergulho por lá aos meus alunos no mês de Junho. Quem sabe se não se combina um mergulhinho para o ano!!??

AM disse...

Olá Eva
Um Blog bonito :)

Pedro disse...

São só surpresas na reentré. Depois do blog novo, era mesmo isto que queria ver aqui: um texto teu. Recomeçares a escrever só te faz bem.

Mas que história é essa dos silêncios? Tu lança-te e com força. Deita tudo cá para fora que a tua não é uma alma de silêncios. A tua alma é clara e transparente e não admite meias tintas.

Um beijo gigantesco para ti
Pedro

Fernando disse...

Continua, por favor, a abrir algumas frestas. Para que saiam algumas palavras. Mesmo só as mais voláteis. Mesmo que poucas. Beijo enorme, agora que vivo tempos de granito

Apache disse...

"As outras, densas e pesadas como o granito, ficam guardadas à espera de um vento morno para, na sua maior calmaria, saírem dela como sementes de um dente de leão arrancadas pela brisa da tarde."
Agrada-me saber que voltou a escrever!
Outras, de tão densas nem a brisa as arranca, é preciso uma tempestade solar...

Nilson Barcelli disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Nilson Barcelli disse...

Este teu texto, muito poético, é excelente.
Gostei do que li até lá baixo, nomeadamente os teu poemas e prosas (escreves muito bem).
Não conhecia o teu blog. Parabéns.

Janelas da Alma disse...

Olá Eva,

Sim, esses são os segredos e a complexidade das almas, ao mesmo tempo tão simples na sua essência!...
O texto apresenta uma sensibilidade magnífica!...
Beijos,

Nuno Osvaldo

Su disse...

há almas assim....
jocas maradas

Anónimo disse...

oh, a vida é tão difícil. Ainda bem que há pessoas como tu, que transmitem tão bem, o que também nos vai na (nossa) alma!
Parabéns,
Carla

Anónimo disse...

Gostava tanto de ter sido eu a escrever este texto.
Conseguiste magistralmente exprimir o que sinto.
Só desejo que venha rapidamente o tal vento morno.

Um beijo

Ana

pensamentos_vagabundos disse...

olá,adorei o teu blog e a alma que ele tem:)
beijo vagabundo

A Cor do Mar disse...

Bonito este teu descrever das almas... Voltarei p/ ler mais*
Agradeço a visita e nao sendo de cá adoro esta terra e a Gazeta é comprada todas as semanas, ate pq agora ando procurano emprego.Das Berlengas posso dizer que gosto por fotos, pq tenho panico duma viagem para lá, mas deve ser linda.
Um grd beijinho meu e outro desta
"nossa" cidade ;*

Anónimo disse...

Sonha com anjos e dias melhores.
O vento vai virar de feição, podes crer.

Beijo

Lena

Lusitana Paixao disse...

Olá Eva.
Já tinha saudades.

tó patricio disse...

ola amiga

desta feita é que vim mesmo cá deixar uma mensagem, mais tarde do que nunca, não é?!

bom espero que estejas bem e que estes textos se transformem em alegria e felicidade na tua vida, sei que bem mereçes, mas nem sempre temos aquilo que mereçemos quando desejamos, é avida que nos dá quando estamos preparados para receber, por isso não deixes de lutar e de procurar a alegria e a felicidade, ela está por ai algures...

beijinhos e vostos de tudo de bom e que um dia nós nos voltemosa encontrar para recordarmos os momentos que passamos "no inferno" das caldas, mas até naquele inferno se encontrou ilhas que são ns paraiso, tu és uma delas.

Anónimo disse...

olá! às vezes as pequenas ilhas tornam-se em grandes esperanças. os infernos esses devem de ficar para trás

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